O esperado embate entre Tom Dumoulin e Chris Froome foi adiado por Simon Yates, que durante doze dias com a maglia rosa fez um enredo perfeito para o domínio na edição 2018 do Giro d’Italia. Todos, porém, não imaginariam que o dia ruim do britânico seria quase um abandono da competição.

Yates protagonizou uma das etapas mais angustiantes da história. A falta de reação em cima da bicicleta durante o Col Delle Finestre, na etapa 19, não condizia com o espetáculo de ataques que deu para abrir diferença com a Maglia Rosa. Era compreensível correr atrás de qualquer bônus de tempo (Yates alcançou 45s somente de bônus de tempo), já que seu contra relógio era falho em relação ao seu principal rival Tom Dumoulin.

Yates começou a desconstruir o mito de que um líder de grande volta ficaria escoltado por sua equipe, quando atacou a 17km da meta na etapa 15 com a chegada em Sappada. A estratégia de sua equipe (Scott Mitchelton) era coerente:  Abrir um gap seguro e manter a maglia após o contra relógio. Dito e feito!

Mas toda a desconstrução custou caro. O mítico Finestre reservou uma das maiores surpresas da história moderna do ciclismo. Chris Froome, desacreditado por ele mesmo depois da primeira e segunda semanas bem abaixo do esperado, teve boas pernas e partiu com 80km para o fim. 

Froome é um caso a parte entre dados incríveis e uma história recente vitoriosa no ciclismo. Fato mesmo é que ninguém nos últimos 10 anos tinha feito algo igual. Chris Froome fez, e por ele mesmo alcançou a Maglia Rosa. Desconstruiu também que precisaria de um controle absoluto da SKY, não atacava, ou, simplesmente reinventou como chegar na liderança de uma grande volta.

Tom Dumoulin, que vestiu a Maglia Rosa somente um dia nesta edição, não se arrependeu até onde tentou. É certo que talvez sozinho rendesse melhor, pois em duas oportunidades (etapa 15 e etapa 19) sem ninguém na roda, levasse menos tempo. Mas isso é ciclismo e os rodeiros sempre estarão por lá!

Dumoulin ficou na segunda colocação com 46s de desvantagem para Froome. Hoje, os dois figuram os mais bem preparados para grandes voltas com contra relógio consistente, equipes dando suporte e se impondo nas montanhas.

Miguel Angel Lopez fechou o pódio favorecido pelo apagão de Thibaut Pinot. O francês está com uma infecção pulmonar e sucumbiu na penúltima etapa abandonando a competição. O Superman Lopez era bem cotado para figurar entre os primeiros. Talvez o mais surpreendente tenha sido o equatoriano Richard Carapaz. A vitória na etapa 8 e o segundo lugar na etapa 20 vieram de forma ousada depois de uma tímida temporada com a vitória na Vuelta Asturias.

Surpreender-se na atuais grandes voltas fica sempre a cargo da superioridade de Chris Froome. Literalmente ele não tem mais o que provar em cima da bicicleta, mesmo quando todos esperam que ele falhará. O descrédito de seus feitos, infelizmente, ainda está fora da bicicleta. Froome não se importou se irá perder o título da Vuelta 2017, ou, se terá seu nome riscado no Giro 2018, mas foi e fez. E no porvir, em julho, tentará seu quinto título no Tour de France, mas isso não dependerá apenas do seu foco, ou de suas pernas, mas também de bons advogados no julgamento do seu caso!

#nafuga

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